terça-feira , 12 dezembro 2017
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O que é o Hoodoo

Acendendo a primeira Lâmpada.

O Hoodoo a grosso modo séria a junção de três grandes vertentes tradicionais de magia, cura e folclore, elas são:
1 – O Vodu Haitiano;
2 – O conhecimento sobre ervas e cura dos Índios americanos;
3 – O conjunto de técnicas magicas e sabedorias reunidas em alguns grimórios Europeus e outros textos.

O Hoodoo não é religião, não é religiosidade, não é filosofia de vida, não tem nada a ver com qualquer tipo de espiritualidade. Mas os nomes Hoodoo e Voodoo tem uma semelhança muito grande, tirando o H e o V são a mesma coisa, mas é aqui que encontramos a diferença.

Voodoo é uma religião, um sistema de fé baseado no espiritual – Praticado na África e levado para o Haiti pelos navios comercializastes de escravos.

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O Voodoo tem todo um sistema hierárquico, e pode sem sobra de duvidas ser dito como uma religião de mistérios. Ouvi uma vez em um documentário sobre Voodoo que na África eles não sabem ao certo quando o Voodoo começou, eles dizem que ele é tão antigo quanto o mundo.

O Hoodoo contém muitas técnicas do Voodoo, mas apenas no que se refere ao uso da magia, por exemplo o uso de óleos, pós, bonecas e coisas do gênero… o Hoodoo baniu de si toda e qualquer religião, mas ele como sistema de magia, aceita e pede que o praticante tenha uma fé, espiritualidade, crença em qualquer coisa ou algo maior que ele (humano) como Deus, Deusa, Lwa… porque isso formará o caráter “mágico” de certo ou errado ao usar qualquer técnica no Hoodoo, a religião do praticante será a base ética dele dentro do Hoodoo – o que você vai fazer é errado ou certo as vistas do seu Deus? E se for errado você ainda fará? …

Muitas pessoas acabam confundido o sistema de “Justificativa” dentro do Hoodoo.

Tudo o que fazemos – desde um banho a acender uma vela intencionando alguém, devemos fazer uma oração a “Deus” falando por nossa própria boca o porquê estamos fazendo aquilo, essa é uma forma de comunicar ao mundo que fazemos algo por um motivo (seja ele justo ou não) então Deus – em sua grandeza – decidira se é aceito ou não a realização.

Porque assim se mantem um equilíbrio, se alguém te fez um mal e você retribui justificando a Deus o motivo, se tiver equilíbrio no que você fará, com certeza funcionará, se não tiver equilíbrio, não.

Se alguém te fez um bem, e você decide retribuir, a sua justificativa será a chave que irá abrir ou fechar a porta. Até porque o que pensamos ser um bem pode se tornar um grande mal. Mas na dúvida entre fazer um bem e não fazer um bem, faça o bem – afinal, gentileza gera gentileza, e se não acreditamos no nosso potencial de sermos bons, do que vale tudo isso.

Justificativa é uma resposta do porque você está fazendo algo. Do Porque você usará o seu poder pessoal e do porquê “Deus” tem de te ajudar.

Nos dias atuais a justificativa só é feita quando se trata de algo ruim – feitiços que afetem uma pessoa negativamente ou quando se quer enraizar alguém.

Mas de onde vem o Hoodoo, da África ou do Haiti.

Em primeiro momento o Voodoo foi da África para o Haiti, e do Haiti para America, logo o Hoodoo é parente do Vodou Haitiano, que é irmão do Voodoo Africano.

Sabe como…

Depois das grandes Revoltas do Haiti, quando enfim após 10 de guerra entre colonos e negros, no dia 01 de Janeiro de 1884 o Haiti se tonou uma Republica Negra, expulsando dessas terras seu senhores e donos, muitos desses colonos desembarcaram em Nova Orléans, levando consigo seus escravos pessoas e domésticos.

Esses negros que pertenciam aos homens brancos da Colônia do Haiti, carregaram consigo as sementes do Voodoo Haitiano – mas já misturado com um pouco de cristianismo, não tanto porque seus senhores falam francês, nunca haviam tido contato, obrigando seus escravos a aprender a nova fé a força.

Em Nova Orleans e em outras parte do Sul, os escravos entraram em contato com os índios e por necessidade acabaram bêbedo de suas técnicas de cura, uma vez que eles não tinham como pagar por um médico, não possuíam além da roupas do corpo que ainda si era propriedade de seus donos, e quando a doença chegava era preciso um milagre de Deus ou uma formula grátis de cura, e geralmente essas formulas de cura vinham dos Índios.

Após muitos anos, quando o sistema de liberdade estava entrando em vigor e poucos desses negros mais muitos dos seus descentes aprenderam a ler, entraram em contato com os livros e folhetos sobre Magia Cerimonial – os Grimórios. Mas era tudo muito complicado, muito caro e praticar aquele tipo de magia era algo totalmente inviável a nível de custos. Então o que foi feito, absorveram a parte simpática daquilo tudo, assim aos poucos a tradição do Hoodoo nascia…

Catherine Yronwode traçou as principais influencias dos grimórios e a forma de seu uso. Segundo ela:

– Através de John George Hohman em seu livro “Pow-Wows or the Long Lost Friend.” Onde ali expunha as principais fontes de uso sobre plantas, minerais e curiosidades que são utilizadas no Hoodoo.

– Pelas Clavículas de Salomão e os livros 6 e 7 de Moises – não da forma que deveriam ser, mas sim de uma forma simplista, simpática – uma vez que o inglês britânico era muito seco e de difícil entendimento para os negros, então com relação as clavículas, usava-se seus pantaculos (selos). Henri Gamache ficou conhecido em 1945 por inovar e ir mais a fundo com o estudo dos livros de Moises, chamado “The 8th, 9th, and 10th Books of Moses”.

– Através de bíblia, principalmente os Salmos que eram lidos nas reuniões dominicais, presididas pelos senhores de escravos – Godfrey Selig lançou um livro chamado “The Secrets of the Psalms” que foi muito influente em sua época.

– Através da oralidade e o poder das palavras escritas (petições), que foi uma influência da Europa pagã e outras tradições magico-judaicas. Foi dessa veia que veio o uso de formulas como Sator ou mesmo o uso do termo judeu Shaddai.

– A utilização de correspondências como o uso das fases da lua, símbolos astrológicos, afim de atrair e repelir energias necessárias para uso na pratica mágica.

O Hoodoo hoje tem algo em torno de 300 anos, uma tradição marginalizada, praticada pelas minorias da sociedade. Sua história é composta de lutas, tristeza, lagrimas, sangue e suor… mas ainda assim é uma pratica bonita, repleta de cultura e significados simbólicos.

Algumas Verdades

O Hoodoo é permissivo com o praticante, não é necessário largar sua fé, religião ou o que você acredita para praticar essa forma de magia.

Em uma conversa particular Denise Alvarado escritora de hoodoo e Mambo Voodoo me disse… “O Hoodoo é algo praticado nos Estados Unidos, tudo o que for praticado fora desses limites é uma variação, pode ser chamado de Hoodoo mais é uma variação de Hoodoo, porque não são as ervas nascidas em nossas terras, não são nossas mãos, é uma variação, mas não significa que não tenha poder, tem poder igual, mas devemos chamar pelo nome aquilo que tem nome.”

O Hoodoo do Brasil é algo totalmente nosso com Base no Hoodoo da América, mesmo que não façamos modificações no corpo de pratica, é algo nosso, assim como existe o Termo “America Conjure” defendido com vários conjures e Rootworks, temos também o “Brasil Conjure”.

Conjure e Rootwork são coisas distintas e também não a mesma coisa. Um conjure pode ser apenas um Conjure, um Rootworker pode ser apenas um Rootworker, mas um pode aprender a função do outro, sem problemas.

O Conjure se dedica mais ao sistema de trabalho pratico com enfoque nas palavras – conjurar.

O Rootworker se dedica a trabalhos de cura – principalmente com ervas, orações e rezas… como fazem nossas benzedeiras.

Algumas Mentiras

Não existe a possibilidade de misturar o Hoodoo com uma religião e fazer algo único. Então o Hoodoo não é Umbanda, não é Candomblé, não é e não se parece com Wicca, assim, também não é Santeria, e nenhuma outra religião. Qualquer praticante de qualquer uma dessas formas de fé, pode praticar o Hoodoo sem problema algum como um complemento para sua pratica, mas não pode chamar o Hoodoo de Candomblé, ou Umbanda ou Wicca ou qualquer religião que seja.

Técnicas religiosas pertencentes a algumas tradições como falei acima, não podem ser chamadas de Hoodoo, esse último é completo em si. Nos últimos tempos ocorreu de que alguns praticantes começaram a usar o termo “Consagrar” o que é muito utilizado na Wicca. O Hoodoo não é religião, não tem deuses, não tem ser espiritual… quem possui isso é o praticante, e ele, o praticante, pode até fazer consagrações, mas não pode chamar de Hoodoo, em Hoodoo não se consagra, se conjura…

É mentira dizer que o praticante tem de ter cursos e certificados para ser praticante de Hoodoo, falo isso porque dou cursos, e muitos alunos que vem até mim são excelentes Conjures, alguns só precisam de um alinhamento com o que sei, porque esse aluno sente isso, então oferto a ele o que tenho; para ser um bom praticante é no mínimo necessário que ele conheça a história do Hoodoo, de onde essa pratica veio e como ela lutou pra chegar até o mesmo, saber as práticas, estudar, estudar e estudas… falar pouco, perceber e entender e acima de tudo ser humilde pra aprender. Não misturar religião com a pratica a fim de que sejam uma única coisa.

Venho ensinando isso no meu curso anual por correspondência “Hoodoo – Conjure, Bruxaria e Rootwork”, para ser um praticante de Hoodoo, você precisa ter nascido um Conjure ou Rootwork, e você e só você pode identificar a chama do conjurador original (Deus) em você.

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