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O Hoodoo para Brasileiros

ou Um pouco de história para quem quer entender o que é isso –

ou Um texto obrigatório para todos os Rootworker e Conjures sérios…

Nota: Antes de continua, se você ler algum nome – de alguma pessoa aqui mencionado – que você não conhece ou não havia ouvido falar ainda, anote esse nome e faça uma pesquisa, para saber quem é a pessoa.
Pois já que você esta aqui, e acredito que você esta aqui para ficar, é importante que você saiba quem é quem nesse mundo do Hoodoo.

Vamos lá…

Esse é um texto especial, porque ele foi escrito especialmente para quem já está aqui a mais tempo – ou seja, para os conjures e rootworker com mais de 2 anos de pratica do Hoodoo… e se você não tem mais de 2 anos, calma, você terá um dia… ou seja, é para você também.
Nesse texto não falo apenas sobre nuances históricas, mas também sobre resistência, sobre politica – coisas que de alguma forma, colocamos de dado em algumas vezes.

Mas Hoodoo não é só isso aqui, mas quero que você pratique um Hoodoo verdadeiro, significativo, e que vai te responder, preciso que você saiba dessas coisas.

Então eu deveria mudar o nome desse ensaio, e colocar: 

“Hoodoo para quem se prepara, para ser um Conjure ou Rootworker Profissional”

Então um dia quando você fizer um feitiço e logo em seguida ver os resultados, ou quando você começar atender os seus clientes e ver que tudo o que você faz, funciona e da certo – ou quando você mudar sua vida significativamente… você possa lembrar desse texto. Você possa lembrar que faz parte de uma FAMILIA FORTE, e que pratica um ESTILO FORTE, e que APRENDEU HOODOO com quem realmente sabe…

Antes de seguirmos em frente, deixe-me dizer algumas coisas.

1 – Para você se considerar um praticante de hoodoo, você precisa ter conhecimento sobre hoodoo, não é apenas ler feitiços e executa-los, ou entender sobre uma ou outra erva.
Você precisa saber o que é Hoodoo, saber as origens do Hoodoo, saber quem pode transmitir o Hoodoo… como coisas primarias.
Fora isso você precisa saber utilizar as técnicas básicas do Hoodoo, que é: saber lavar chão, saber preparar banhos, saber vestir velas… entender de fases da lua, entender de horas planetárias, entender sobre curios, entender sobre leis e regras de até onde você pode ir com o hoodoo (ou seja, entender sobre justificativa…); você precisa entender quem é Deus no Hoodoo, e sei que muitas vezes vão dizer que não existe Deus no Hoodoo, nem santos ou outras divindades… na realidade existe sim, só que como não é obrigatório o culto a eles, não é algo que é dito, mas veja, temos figuras como Black Halk (que vem da raiz indígena do Hoodoo), temos La Madamma (que vem da raiz das pessoas negras), temos Buda (o mesmo mencionado no Óleo Buda da Sorte, que vem do budismo…), temos Chiva (que vem do Hinduismo)… entende? Existe muitos seres, e essas coisas você precisa saber… exite muita diferença de um praticante sério de hoodoo, para um praticante que gosta de obter resultados com o Hoodoo…

2 – muitas pessoas quando chegam no Hoodoo, acabam se maravilhando – com muitas possibilidades que se abrem, e é legal, mas acontece algo muito ruim… muitos desses novos conjures, e novos rootworker, acabam pegando suas antigas fés, crenças e religiões… e só passando um corretivo em cima do nome, e escrevendo por cima “hoodoo”… quando se chega no Hoodoo, é importante APRENDER tintim por tintim a cultura… porque eles podem mentir para outros, mas não podem mentir para si mesmos… e nós que estamos aqui a mais tempo, quase sempre conhecemos todo mundo – bom, acredito que todos ou a grande maioria que chega por aqui, já me conhece -, sempre todos se conhecem… mesmo que não se falam… e se conhecendo, sabe quem chegou faz tempo e sabe quem chegou agora.
Então quando se chega no Hoodoo – se aprende Hoodoo, porque o Hoodoo é uma pratica que na realidade, só funciona, na mão de quem sabe…
Tem pessoas que chegam e dizem “essa pratica é igual a que minha avó, tia… mãe… praticava…” – veja, sim, você pode encontrar nuances de “hoodoo” em muitas culturas… mas aquilo é aquilo e isso é isso.
Vou dar um exemplo: na Umbanda não se veste velas com óleo – bom, não se vestia com óleo… mais já vi muitas pessoas trabalhando dentro da umbanda que hoje, já faz isso… aquilo é Hoodoo? Não, aquilo é umbanda, mas já levaram a pratica pra dentro da religião, é em todos os lugares que fazem isso? Não.
Mas no Hoodoo é obrigatório vestir as velas, todas elas, não acendemos velas sem vestir, nunca! Se você acende velas sem vestir, ela é só um símbolo de iluminação… não é um símbolo magico – mas isso é no Hoodoo, não significa que seja assim em outras praticas, eu particularmente não acendo velas sem vestir, pra mim isso não existe, pra mim isso não funciona – mas pode funcionar para outras pessoas, é que pra nós do Hoodoo, tudo tem regra, a regra é o que faz funcionar.

Existem muitos estilos de Hoodoo – o que é o Estilo, é a forma como ele é praticado e transmitido. E por incrível que pareça, nenhum dos estilos é igual – quando falo de estilo, não quero dizer apenas que é um “Estilo Americano” ou um “Estilo Brasileiro”, quero dizer que é uma pratica ensinada por alguém…

3 – o Hoodoo é uma pratica de cunho “crista”, não uma pratica de cunho “pagã” como muitas pessoas acreditam – os praticantes de Hoodoo, geralmente são Católicos, ou Cristãos Reformados, ou Batistas… mas isso não é uma regra, na realidade, o Hoodoo por ter se emancipado de religião, é uma pratica magica qualquer pessoa de qualquer religião.

Então temos o:

Estilo Hyatt: É o Hoodoo praticado conforma foi transmitido pelos livros de Harry Hyatt… que durante seus últimos anos de vida, entrevistou e recolheu material sobre Hoodoo de muitas fontes, o mesmo não era um praticante de Hoodoo assumido, mas era um folclorista (o que nos faz pensar no obvio né?!) também era um pastor anglicano, e escreveu nada menos que 6 resmas de papel sulfite de crendices… que para alguns é uma bíblia.

Estilo Yronwode – que é o estilo ensinado por Catherine Yronwode. Esse é um estilo mais tradicional, pois ele é grandiosamente influenciado pelos escritos de Harry Hyatt, e também por todos os catálogos de produtos de Hoodoo da antiguidade.
Inclusive, é importante dizer que a Catherine Yronwode – também chamada de Cat -, é atualmente a dona da maior Loja de Hoodoo da América.

De ascendência Judia, Cat reuniu e colheu, e disseminou muita informação sobre o Hoodoo na América, sendo considerada umas das maiores fontes sobre esse assunto.

Estilo de Nova Orleans – é o estilo transmitido por Denise Alvarado, contem fortes conexões com o Voodoo de Nova Orleans… possui nuances fortes de magia indígena e crenças dos grimorios antigos da europa.

Estilo Antigo – é o Estilo ensinado por Momma Starr, focado no Hoodoo mais tradicional, menos comercial, mais voltado para a família, para o culto aos antepassados, para as adivinhações, para o culto aos santos e com uma pegada forte do Catolicismo.

Estilo Mickaharic – é o estilo de hoodoo ensinado por Draja Mickaharic, um homem nascido na Bosnia em 1912, que atualmente vive na America.
O Estilo dele é mais livre, tendo fortes traços Obeans, com nuances de Voodoo e Pow-How, bem como magia Hexes (que é um estilo de magia da Pensilvânia).

E então chegamos no Brasil, e temos o “Estilo Brasil Conjure” que é o “Estilo de Kefron Primeiro”.

Deixe-me falar um pouco sobre o estilo Brasil Conjure, porque é detalhes vitais para você que esta aqui, mas antes, quero te apontar o caminho SEM pedras…

Para você aprender sobre qualquer um desses Caminhos citados a cima, você precisa ler os livros escritos por aquelas pessoas, estudar suas vidas, e seu modo de lidar com o mundo – pra você se dar bem dentro de uma pratica, você tem que se identificar com a pessoa que transmite o estilo, afinal, você quer esta rodeada de pessoas parecidas com você certo? Que pensem como você, que defendem causas que você defenderiam, que não defende causas que você não defenderia correto?

Dentro do Hoodoo, assim como em qualquer outra pratica mágico-folclorica ou magico espiritual, existe divergências.
Talvez seja isso o que mais acho bonito no Hoodoo, a capacidade de resolver as coisas entre sí que torne o Hoodoo algo mais “maduro” – ou seja, todas as brigas e discussões, que ocorrem dentro do Hoodoo, são resolvidas dentro do Hoodoo… Anos atrás, havia muitas discussões entre a senhora Alvarado e a senhora Yronwode, discutiam por questões de não concordância entre as praticas… discutiam por questão de cor racial e etnia… e atualmente na “américa conjure” existe uma grande resistência da comunidade negra (onde o Hoodoo nasceu), em aceitar pessoas brancas nele.

A resistência é tanta, que muitos negros da América Conjure, chega a dizer que o hoodoo dos brancos, não é Hoodoo – por uma questão de herança, por uma questão de sangue…
Muitos negros na America Conjure, se colocam como oposição ao hoodoo praticado por brancos, por questões sociais, questões históricas – e muitos ate dizem que os brancos só se beneficiaram da cultura dos negros, e que não podem continuar fazendo isso.

E quando pensamos que acabou ai, percebemos que só estamos na margem de um grande mar.

Sobre o “Estilo Brasil Conjure” o Hoodoo de Kefron Primeiro

Quando decidi expor o que eu entendia sobre Hoodoo, foi em 2012 – e de lá pra cá foi uma grande jornada, porque eu aprendi e continuo aprendendo muito.

O Hoodoo que comecei praticando foi o Hoodoo de Draja Mckaharic – porque além de ser algo fácil, acredito que em nenhum dos livros de Draja, ele diz: “isso é Hoodoo”, ele sempre ensina aquilo como “Folclore”, ou seja, ele nunca usa a palavra “Hoodoo” para se promover – e sempre achei isso muito bonito.
O primeiro livro que adiquiri do Draja foi o “A Magia de Todos os Tempos” – em 2006, e sempre foi meu livro de cabeceira, porque ele sempre foi um livro muito simples, que sempre falou de coisas muito simples, e por incrível que pareça, sou um homem simples.
Em 2013, quando lancei meu primeiro livro “Manual de Hoodoo”, recebi um convite de Catherine Yronwode, para fazer o seu Curso de Hoodoo, nos tornamos amigos, mas ainda sim declinei o convite gentilmente, deixando-o em aberto para que se fosse necessário, fazia no futuro, afinal conhecimento nunca é de mais ou não bem vindo… entre os anos de 2013 e 2016 estudei todos os livros de Harry Hyatt, intitulados “Hoodoo – Conjuration – Witchcraft – Rootwork”, que foram as passes para o Hoodoo de Catherine, bem como do seu Curso de Hoodoo… no inicio do ano de 2014, lancei o meu primeiro Curso de Hoodoo, e naquele mesmo ano ingressei no ARA – Associação de Rootworkers Americanos, presidido pela Mambo Deinise Alvarado, conhecida como Voodoo Mamma (um dos maiores nomes do Voodoo e Hoodoo americano da atualidade).
Fui o primeiro brasileiro, homem, negro, a entrar em uma associação de rootworker, americanos (ainda por cima…), o que abriu a porta para inúmeros outros homens e mulheres também entrar –  o que me deixou feliz.

Todas essas experiências, me fizeram adquirir mais conhecimento… o que fez com que muitos praticantes de Hoodoo que viviam no Brasil, quisessem se aproximar dessas pessoas aos quais eu me aproximava – então quando eu notava que ali estava ficando cheio de mais, de pessoas – eu logo dava um jeito para ir para outro lugar para aprender mais, porque sempre entendi que onde existe muita gente absorvendo de algo, logo ele se torna escasso (isso durante a vida me fez não perder muito tempo nos lugares e também não me deixou acomodado…).
em 2014 em uma discussão num grupo americano, me coloquei como contra algo que era debatido – não recordo agora o que era – mas era algo muito singular, algo como o “uso da água no Hoodoo” se não me engano… então por meu posicionamento enfático, alguém questionou “Quem é o Kefron Primeiro”, e Denise Alvarado respondeu “O Kefron é a pessoa que esta introduzindo o Hoodoo no Brasil, gostemos ou não!”, aquilo levantava muitas margens para muitas coisas, como:

– eles não queriam que o Hoodoo fosse transmitido fora da América, alias, aquilo nunca foi uma opção, nunca foi bem visto, e também nunca foi bem aceito… na America, eles sempre viram aqueles que tentavam levar o Hoodoo para longe, com maus olhos… mas, era um homem negro, falando sobre algo que era da raiz dele… então as pessoas ficavam “meio assim”… o que dizer?…

– era importante o caminho que o Hoodoo estava abrindo e onde ele estava chegando, e não poderia ser qualquer pessoa que iria falar sobre aqui… e veja, o Kefron sempre tratou o hoodoo com respeito, tratou os praticantes antigos com respeito, sempre citou as fontes de onde aprendeu, sempre defendeu o hoodoo com garras, unhas, dentes… e sempre promoveu um movimento inclusivo, de “homens e mulheres podem e devem praticar Hoodoo”; sempre se colocou como oposição as pessoas brancas que queriam ganhar dinheiro vendendo a cultura do Hoodoo, ou disseminando informações falsas – e sempre, sempre defendeu a igualdade de brancos e negros dentro do Hoodoo, e sempre evidenciou que os negros devem encontrar no Hoodoo não apenas uma pratica, mas também uma casa, e que esses homens e mulheres negras, devem ensinar outros homens e mulheres (sejam eles negros ou Brancos) a cultura do Hoodoo, mas evidenciando que só quem pode ensinar Hoodoo “São pessoas Negras” por estarem falando de suas próprias narrativas, falando de algo relativo ao seus sangues – e sobre uma herança cultural e social, que não deve ser explorada por brancos – que já se beneficiaram demais, com a cultura negra -, que já tem facilidade em conseguir área de trabalho em lugares e locais que os negros não tem, de modo que aqui, o negro não perde espaço para uma pessoa branca que pode conseguir espaço em outro lugar…
Então todas essas coisas eram importantes e significativas, porque são coisas que fazem a cultura se manter “ela mesma”, não um produto transformado e massificado.

Então entre 2014 e 2016 – não recordo o ano muito bem, tive uma conversa com Denise Alvarado, sobre “O que era o Hoodoo” e em determinado momento ela disse algo como: “vocês podem aprender todas as técnicas do Hoodoo, podem aprender todos os métodos, podem aprender tudo o que tem a ver com o Hoodoo – MAS ainda não será Hoodoo… porque ainda faltará os elementos principais: o nosso sangue, a nossa terra, e nossas vozes que conjuram… mas VOCÊ pode criar seu próprio estilo”.

Aquilo me fez entender que o nós tínhamos desenvolvido aqui no Brasil, não era o Hoodoo Americano… era o Hoodoo Brasileiro, e assim como na America Conjure, eles não poderiam praticar o Hoodoo Brasileiro, nós nunca poderíamos praticar o Hoodoo da America, simplesmente porque eles não estavam aqui e nós não estamos lá – para você ver como o poder da terra, o poder da alma do mundo, é algo extremamente importante…
Então de forma sutil, sabe?! E calma, continuei estudando… juntando informações sobre ervas, plantio, colheita, classificação e armazentamento de curios, um belo de um dia chamei de “Brasil Conjure”, pronto esse era o “Estilo de Kefron Primeiro”, porque? Era um resumo de tudo o que eu aprendi durante os anos, estudando o Hoodoo ensinado por Denise alvarado, Catherine Yronwode, Hyatt, Gamache, Riva… só que com um detalhe, convertendo isso com precisão, para os fluxos energéticos do Brasil… então era algo nosso!

Os praticantes de Hoodoo, aqui do Brasil, seguem o Estilo Brasil Conjure, ou o Hoodoo de Kefron Primeiro… nós tratamos como família, nos chamamos de parentes… Considero todos aqueles que aprendem comigo – através dos cursos e workshops -, como afilhados, e boa parte deles me chamam de “Padrinho” (as vezes “dindo”), aquelas pessoas que  aprendem comigo através dos sites, grupos de discussão, e outros, chamo de primos e primas… mas não é uma forma de simplesmente colocar organização em algo, é uma forma de dizer que realmente considero essas pessoas família…
Nos chamamos de parentes, porque temos o mesmo sangue Brasileiro… e quando elas pagam por um curso ou workshop – o que acho muito significativo, porque penso que além de elas pagarem pelo conhecimento, elas estão pagando para que um encontro aconteça, então adoto-as como afilhadas… e os primos e primas, são como os parentes que são filhos de outros parentes, mas temos algum grau de parentescos.

Isso tudo pode não ser muito, mas acredito que contar essa história, é significativa… contar essa historia para você, é mais significativo ainda porque você aprendendo comigo, significa que agora você faz parte da minha Família, você agora é uma pessoa que guarda o estilo Brasil Conjure.

NOTA: O “Brasil Conjure” é o único estilo de Hoodoo sério no Brasil, não existe outros estudos, pesquisas, tão bem estruturados quando o oferecido por nós… não existe no Brasil outras publicações ou sites que falem de Hoodoo como fazemos – é importante que você saiba disso, é importante que você saiba que faz parte desse movimento, desse grupo de pessoas.

 

Kefron Primeiro 
7 de Maio de 2020

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